Silicon Wadi: O Vale do Silício Israelense, o 2º Maior do Mundo

Por Arthur Andrade

Ecossistema de startups israelense (https://mappedinisrael.com/)

Aqueles que começam a estudar startups inicialmente vislumbram o Vale do Silício americano, que é o maior dentre todos, e têm o senso comum que o segundo mercado desse setor estaria na Europa (a 2ª maior economia do mundo enquanto bloco econômico) ou na Ásia, considerando o alto nível tecnológico de países como Japão e Coreia do Sul ou China, por ser a 2ª maior economia do mundo entre os países, mas isso está incorreto. Realmente, fica na Ásia, mas não em países do Leste asiático, mas do Oeste desse continente, mais especificamente no Oriente Médio, em Israel.

O cenário de startups de Israel é o 2º maior do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos e que atrai diversas companhias a investir lá (um número que comporta mais de 100 multinacionais), como a Intel[1], que comprou a Mobileye (startup especialista em computação para veículos automotores autônomos e que trabalha com companhias como BMW e Audi) por pouco mais de 15 bilhões de dólares em 2017.

Não é recente a influência de Israel no mercado de tecnologia para o mundo. Em 1998, a israelense Mirabilis criou o ICQ, software de mensagens, que foi comprada pela americana AOL e que se tornou um sucesso mundial em 2001. A M-Systems em parceria com a IBM foi uma das pioneiras no desenvolvimento de pendrives. A caneta tradutora (Quicktionary) que serve de dicionário eletrônico foi criada nesse país, pela WizCom Technologies. Serviços como Babylon, Viber e Waze, como tantos outros, também têm criação israelense.

A cidade de Tel-Aviv por si só teve um crescimento de 2,9% de crescimento em 2015, ficando em terceiro lugar no ranking de crescimento de startups em cidades pelo mundo – atrás de Berlim (com 10%) e Londres (3,3%) e à frente do Vale do Silício (2,1%).

Com uma população de apenas oito milhões de pessoas, esse país[2] criou mais de 1.400 startups de tecnologia e fez circular 9,2 bilhões de dólares nesse setor somente em 2015. Nesse quesito, Israel investe 4,1% do PIB per capita em Pesquisa & Desenvolvimento – P&D (ou R & D – Research & Development – em inglês) realizada por civis (considerando que isso não inclui militares – um setor forte em Israel), mais que o dobro do que é investido pela União Europeia na mesma área, que está em torno de 1,9%.

De acordo com o Banco Mundial, Israel gastou 3,9% de seu PIB para P & D em 2012, muito mais do que qualquer outro país no mundo, inclusive mais que a Finlândia e a Suécia, que investiram nela mais de 3%, cada uma.

Para explicar isso é essencial trazer à exposição que o governo israelense criou o programa Yozma para impulsionar a indústria de capital de risco (venture capital) do país em 1993, o que deu garantias de risco a fundos privados que investiram em startups e fundaram seus próprios fundos de capital de risco posteriormente.

Atualmente, considera-se que é muito mais fácil arrecadar fundos em Israel do que na maioria das outras regiões, tendo em vista que esse país tem o maior nível de capital de risco como parte do PIB em todo o mundo, segundo a OCDE: Em 2011, metade do PIB do país estava disponível como capital de risco, o que é uma proporção muito maior que a realizada pelos Estados Unidos, com 0,2% do PIB, que estão em segundo lugar nesse ranking (“venture capital sobre porcentagem do PIB”).

As empresas de tecnologia arrecadaram US$ 867 milhões em Israel em 2011, em comparação com os US$ 706,2 milhões da Alemanha, no mesmo setor. É importante citar que, depois do Vale do Silício, mais capital de risco vai para Israel do que qualquer outro lugar no mundo e que depois do Reino Unido, há mais empresas israelenses listadas no NASDAQ do que qualquer outro país do mundo.

Contudo, quem conhece esse mercado não reduz esse sucesso a tão-somente a ação do governo em relação aos investimentos, pois a iniciativa privada, como a população em si, também são fatores que o explicam. O nível educacional israelense, principalmente o acadêmico (bastante considerável nas áreas de biotecnologia e computação), é um dos maiores do mundo, que o setor militar desse país também o influencia – nas décadas de 60 e 70, os militares investiram na aplicação civil de tecnologias militares – e fatores, como grande concentração de investidores-anjo, a cultura empreendedora dos israelenses, as já citadas multinacionais, dentre outros.

Por isso, é interessante vislumbrar Israel como um polo tecnológico de startups, fundamental para se visitar por quem deseja investir nessa área em escala global, ou mesmo regional, considerando que o país comporta outro “Vale do Silício”, o Silicon Wadi, que já é responsável por tantas inovações no mundo e que pode trazer outras futuramente.

[1] Disponível em: < https://techcrunch.com/2017/03/13/reports-intel-buying-mobileye-for-up-to-16b-to-expand-in-self-driving-tech/ >

[2] Disponível em: < https://www.rolandberger.com/publications/publication_pdf/tab_start_ups_israel_final.pdf >

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